Situada em um dos endereços mais nobres do Rio de Janeiro, o Copacabana Palace, a Gustavo Rebello Arte apresenta desde o último dia 4 a exposição Arquiteturas Desmontáveis, do artista plástico Julio Villani. A mostra, que pode ser visitada até o próximo dia 26, reúne 10 pinturas, 3 desenhos e 3 objetos e comprova a maestria do artista ao lidar com a linha.
Em texto para o livro Julio Villani: it’s [a ga]me”, Michael Asbury afirma que as Arquiteturas de Villani são esboços riscados com carvão sobre uma base particularmente opaca, trabalhada com gesso.
“Os traçados, realizados sobre a preparação ainda úmida, são por ela absorvidos e ganham qualidade pictórica, enquanto a base é maculada pelas marcas do carvão. Assim, tecnicamente, elas não são exatamente pinturas, nem apenas desenhos, mas algo intermediário”.
Ainda de acordo com Asbury, esse “entre-dois” permeia de maneira difusa a própria composição. Frequentemente, a interseção dos traços ocorre fora do quadro – como se o artista, ao forjar as linhas de ancoragem, tivesse composto uma imagem maior e decidido emoldurar, capturar e colorir no retângulo da tela apenas uma fração do todo.
“Os desenhos são constituídos por fragmentos podendo ser descritos como concretos: formas geométricas aparentemente desprovidas de todo valor figurativo, não representando nem se abstraindo da realidade”, descreve o autor.
As formas das arquiteturas de Villani – nascido em Marília (São Paulo) – nascem pela junção de dois planos. As linhas surgem para em seguida dissipar-se, fundindo-se aos planos. Como as linhas orgânicas de Lygia Clark — como se o artista estivesse rebobinando a herança construtivista rumo aos seus primórdios, até Joaquín Torres-García talvez, e o conflito entre os artistas geométricos que levou Theo van Desbourg a cunhar a expressão “arte concreta”.
Julio Villani reside em Paris há duas décadas. Seu trabalho se destaca por reunir diferentes formatos, como instalações, objetos, pinturas, colagens e vídeo-animações. Navegando ente os dois lados do Atlântico, as influências do artista vêm do concretismo brasileiro e de obras de alguns artistas referenciais da história da arte, entre os quais Guignard e Arthur Bispo do Rosário, mas também Calder e Marcel Duchamp.
Arquiteturas Desmontáveis pode ser visitada de segunda a sexta, das 12h às 20h. Aos sábados, das 14h às 18h. A Gustavo Rebello Arte fica na Av. Atlântica 1702, Loja 8.






















