Cachaça Cimema Clube

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A museóloga Camila Cardoso, colaboradora do Supergiba, é a curadora convidada da próxima edição do Cachaça Cinema Clube, que rola amanhã, dia 14, com sessões de Videoarte & Performances, às 21h no Cinema Odeon Petrobras (Praça Floriano, 07 – Cinelândia). O mote: o cinema, arte recente surgida há pouco mais de um século, estabeleceu-se primordial e dominantemente como uma arte de contar histórias. No entanto, ao longo do seu desenvolvimento, a linguagem do cinema seguiu em várias outras direções, bem distantes das narrativas, e bem próximas da plástica, da percepção e da poesia.

Tendo isso em mente, Camila convocou artistas que brindam esta simbiose. Apostando na perspectiva de interação e ebulição de diferentes formatos de uma mesma natureza, comemora a força catártica dessa experiência limítrofe-sinestésica, mesclando doses de experimentalismo químico, magnético e pictórico, aliadas à necessidade humano-artística de expressão dos sentimentos, pensamentos e inquietações. Muitas vezes aprisionado em nichos – filme experimental, videoarte… – o Cachaça abre as telas para obras que circularam em museus e instalações e também oriundas de performances, acreditando que o limite entre as expressões artísticas é cada vez mais irrelevante.

A sessão conta com três estreias: Minha casa é o mundo, de Gabriel Ghidalevich, é uma trajetória poética gravada no Amazonas, São Paulo, e Rio de Janeiro, que descreve o processo de perceber um caminho pelo meio, e que toda poesia é também um ato. Além do bem e do mar (acima) é um trabalho de Zel Nonnenberg, artista que voltou-se para a pesquisa dos campos audiovisuais após se decepcionar com 4 anos de atuação jurídica. Orwo Foma, de Karen Black e Lia Letícia, filmado em 16mm e revelado artesanalmente, é uma experiência de linguagem e química que acabou virando filme, realizado na oficina Corpo Sensível, de Gustavo Jahn e Melissa Dulius – Distruktur.

Completando o programa, Celebrate You, de Julia Pombo, estuda as possibilidades nos embates travados pelo corpo, explorando a força, o gesto, a fragmentação, o movimento e os limites; Luxzs 52, de Abel Duarte, é trabalho literalmente experimental, com sinais de vídeo, áudio e seus ruídos e Insertion Color, é uma vídeo performance de Aletéia Daneluz, uma tentativa de integrar uma paisagem urbana.

Destaques

Os filmes em destaque são um bom exemplo desta simbiose. O circo dos sonhos, projeto do coletivo Gráfica Utópica (Andrei Müller, Flavio Vasconcellos, Gustavo Speridião) é uma obra de posicionamento político, através da arte e nela própria: “a insurreição é uma arte, exatamente como a guerra ou qualquer outro tipo de arte.” O média metragem foi parte de uma exposição no Museu Nacional de Belas Artes em 2011, que circulou por São Paulo, Paris e Noruega e foi premiada diversas vezes por instituições bancárias fomentadoras das artes plásticas brasileiras.

Base para unhas fracas é um filme do artista plástico Alexandre Vogler, cuja obra transita por intervenções em contextos públicos. Em 2008, Vogler espalhou centenas de outdoors que simulavam o anúncio de um comercial de esmalte de unhas no Rio de Janeiro. A imagem exibia as mãos de uma mulher casada ocultando suas partes íntimas, acompanhadas da marca do suposto produto. O trabalho, que exacerbava a abordagem sexista da mulher em campanhas publicitárias, é exibido como auto-retrato da onírica personagem de Base para Unhas Fracas. No filme, realizado em parceria com a atriz Marcela Maria, uma mulher transita nua por ruas desertas do centro do Rio, intervindo em luminosos publicitários e espalhando sua imagem em muros da cidade.

Uma prévia do que vem por aí:


O circo dos sonhos, de Gráfica Utópica, 2008, 45′
Das nuvens você só leva o raio.


Base para Unhas Fracas, de Alexandre Vogler, 2011, 11’
Durante madrugada, uma mulher nua percorre as ruas do centro do Rio de Janeiro, intervindo em luminosos e espalhando cartazes auto-biográficos pelos muros.


Celebrate You, de Julia Pombo, 2011, 1’30”
Buscando meios de resistir e sobreviver numa era de ontologia declinante.

Insertion Color, de Aletéia Daneluz, 2011, 3′
Video performance.

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