A Caixa Cultural inaugura hoje a coletiva “Jogos de guerra – Confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira”. A mostra, sob curadoria de Daniela Name, reúne trabalhos de alguns dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira em atividade. “Desde que foi reconhecida como linguagem, a obra de arte é um espelho para os conflitos de uma determinada sociedade”, diz Daniela.
Apresentada originalmente no Memorial da América Latina, em 2010, a coletiva enfoca a Arte como combate e denúncia, mas também como jogo capaz de garantir trégua e entendimento. “Jogos de Guerra”, que teve grande repercussão em São Paulo, traz em sua segunda montagem trabalhos de artistas como Nelson Leirner, Cildo Meireles, Antonio Dias, Adriana Varejão (foto), Lenora de Barros, Nuno Ramos, Rosana Palazyan, Dias & Riedweg e Daniel Senise.
Ainda segundo a curadora, “O que queremos mostrar é como, a partir do século XX, a arte contemporânea se aprofunda no uso do humor, da ironia, da metáfora e da relação com a memória do espectador para tentar, também, minimizar os efeitos dos conflitos. Se a arte não consegue promover a paz, ela pelo menos cria estados de suspensão e de reflexão que podem levar a uma trégua, a um armistício”.
Bebendo com Cildo – Peças históricas como o “Projeto Coca-Cola/Inserções em circuitos ideológicos”, de Cildo Meireles; a série de postais “Brasil nativo/Brasil alienígena”, de Anna Bella Geiger; e o livro “Balada”, de Nuno Ramos, são expostas ao lado de trabalhos de jovens talentos da arte brasileira, caso de Nazareno, Nino Cais, Gabriela Mureb, Leo Ayres, Julia Debasse, Laerte Ramos, Guga Ferraz, Leandro Lima & Gisela Motta e do Coletivo Filé de Peixe, entre outros, divididos em núcleos temáticos que apresentam a arte como forma de evidenciar, mas também de resolver conflitos.
O desenho da montagem brinca com a ambiguidade de haver, no hall, duas entradas distintas para as galerias. O espectador pode escolher então o percurso que vai fazer. Em um deles, entra na exposição e se depara com trabalhos que se relacionam historicamente com a guerra, caso das gravuras de Luiz Pizarro sobre a antropofagia e de um pintura de Walter Goldfarb que faz alusão ao nazismo. Ao longo do trajeto, a guerra é abordada em suas questões geopolíticas e econômicas, através de trabalhos como “Homem-bomba”, de Felipe Barbosa.
Em outro, se vê diante de uma abordagem mais lírica e simbólica dos conflitos, com os trabalhos de Nino Cais e Sidney Philocreon conduzindo-o para a guerra doméstica, íntima, aquela que está mais perto de nós. Em qualquer um dos dois caminhos, o visitante deságua na própria arte, com obras que abordam os embates dos artistas com a própria criação. É neste segmento que está “Balada”, de Nuno Ramos; “Poema”, de Lenora de Barros; e os cadernos de ateliê de Daniel Senise, entre outros. Obras que têm ênfase no lúdico e na ideia do jogo como uma forma de se aproximar de um suposto adversário pontuam todo o trajeto, como as esculturas de Raul Mourão sobre o futebol ou as “Montanhas topecreme” de Laerte Ramos.
Na Idade Média, a guerra era simulada em tabuleiros de xadrez. O jogo foi criado como matriz fictícia dos campos de batalha, como um ensaio para os sangrentos combates com o exército inimigo. Na arte dos dois últimos séculos, jogar é um verbo corriqueiro. As analogias, o humor e a ironia são arma e estratégia para lidar com as coisas do mundo, inclusive todas as formas de conflito.
Esta exposição destaca esta capacidade que a arte tem de denunciar e até de resolver injustiças e impasses através da negociação, da disputa ombro a ombro com o problema. Jogos de guerra se transforma, assim, em uma espécie de tabuleiro, que convida o visitante para uma partida com a arte.
Artistas: Adriana Varejão, Alexandre Vogler, Alexandre Murucci, Alexandre Vogler, Analu Cunha, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Bete Esteves, Bruno Vilela, Cadu Costa, Carlos Vergara, Cildo Meireles, Cinthia Marcelle, Cláudia Bakker, Coletivo Filé de Peixe, Daniel Senise, Dias & Riedweg, Felipe Barbosa, Fernanda Figueiredo & Eduardo Mattos, Gabriela Mureb, Geraldo Marcolini, Gisela Milman, Guga Ferraz, José Rufino, José Tannuri, Julia Debasse, Laerte Ramos, Laura Lima, Leandro Lima & Gisela Motta, Lenora de Barros, Leo Ayres, Louise D.D., Lourival Cuquinha, Luana Aguiar, Luciano Figueiredo, Luiz Pizarro, Marcelo Amorim, Marcelo Cidade, Marcelo Gandhi, Marcio Banfi, Marcos Chaves, Nazareno Rodrigues, Nazareth Pacheco, Nelson Leirner, Nino Cais, Nuno Ramos, Opavivará, Pontogor, Rafael Assef, Rafael Perpétuo, Raul Mourão, Regina Silveira, Ricardo Becker, Romano, Ronaldo Duarte, Rosana Palazyan, Rosana Ricalde, Sidney Philocreon, Vicente de Mello, Walter Goldfarb e Walton Hoffman.
Jogos de guerra – Confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira. Curadoria: Daniela Name. Abertura: 11 de julho de 2011 às 19h (para convidados). Exposição: 12 de julho a 28 de agosto. Terça a sábado, das 10h às 22h | domingo, das 10h às 21h. Entrada Franca – Livre para todas as idades. Caixa Cultural Rio de Janeiro – Galerias 2 e 3 (Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro).




















