Nan Goldin, as drags e as crianças

Nan Goldin autorretrato
Nan Goldin

Nan Goldin deu visibilidade às drags

A norte-americana Nan Goldin (acima, em um autorretrato) foi apresentada à fotografia por um professor do colégio em 1968, três anos depois de sua irmã mais velha cometer suicídio. Nan tinha apenas 15 anos quando fez sua primeira exposição individual em Boston, em 1973. Nas paredes da galeria, o olhar de uma adolescente que afirma – hoje – não ter recordações da infância.

Com o amigo David Armstrong mergulhou de cabeça no mundo gay. E nele se criou. As primeiras imagens que Nan Goldin inscreve na iconografia da história da arte contemporânea dos anos 70 são justo as que faz dos amigos gays e transexuais. Como pode algo tão século passado influenciar a moda até hoje?

Nan Goldin sempre foi uma menina a frente do seu tempo. Talvez pelo trauma da irmã suicida, tenha adquirido essa qualidade especial de ver – e imprimir – DRAMA em tudo. Seja falando de amor, gênero ou sexualidade ( tags fundamentais para a compreensão de seu trabalho), a fotógrafa nos recebe com um soco na boca do estômago. A violência é outro elemento presente no imaginário da artista, algo expresso em fotos que evidenciam a violência entre casais.

Nan Goldin foi acusada de glamurizar o consumo de heroína em trabalhos como os da serie  The Ballad of Sexual Dependency. Em meio às polêmicas, produziu ainda séries igualmente impactantes: I`ll Be Your Mirror, inspirada na faixa homônima do Velvet Underground, e All By Myself.

A consagração pela crítica se deu em 2003, ano em que o The New York Times atribuiu à Nan Goldin o surgimento de um novo gênero de fotografia. Hoje dividida entre Nova York e Paris, a artista costuma expor seu trabalho por meio de slide shows.

Nan Golding

Bruno e sua tattoo temporária

De volta a infância – Devido a uma queda sofrida em 2002, a fotógrafa perdeu parte dos movimentos da mão, algo que a impossibilita de carregar os pesados equipamentos com que sempre trabalhou. Tirar esse peso das costas foi algo salutar. Algo que se reflete inclusive na escolha de uma nova temática: crianças.

Nan Goldin tem fotografado e exposto fotografias de crianças. Filhos de amigos, afilhados, crianças da vizinhança. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, a artista justifica a escolha: “Eu não tive filhos, e psicologicamente, meu foco neles tem muito a ver com meu desejo em ter tido filhos”. Mas sou madrinha de filhos de amigos ao redor do mundo: em Berlin, Nova York, Suécia e Itália”.

Ela que quis crescer como menino

A artista conta ainda que não se recorda de ter vivido como criança, e captar o momento das crianças próximas a ela talvez ajude a resgatar algumas memórias. “São selvagens e mágicas. Crianças são de outro planeta. Por ainda não terem sido condicionadas socialmente, podem gritar e expressar seus sentimentos publicamente. As invejo às vezes. Quando estou entre adultos, e há uma criança presente, nossos olhos sempre se encontram, e sempre rimos do mesmo, mesmo que não tenhamos dito nada a respeito”.

Atualmente, as galerias da artista são a Matthew Marks Gallery, em Nova York, e a Yvon Lambert Gallery, em Paris. A artista ocupa a Sprovieri Gallery, de Londres, com a exposição Fireleap. 

Trackbacks for this post

  1. Oi Futuro censura exposição de Nan Goldin | supergiba

Leave a Comment

Powered by WordPress | Deadline Theme : An AWESEM design