Performance e videoarte

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Por Camila Cardoso – Gestadas nos anos 60, em uma geração marcada pela 2° Guerra Mundial e pela guerra do Vietnã, performance e videoarte possuem a mesma natureza e são irmãs.

Ambas as proposições artísticas encontram no Conceitualismo, conceito que entende a ideia como sendo mais importante do que sua materialização, e na transitoriedade, aspectos que a Pop Art, tão em voga na década de 60, não assimila ao produzir ‘arte em massa’, com a perspectiva de atender a demanda de consumidores, absorvendo assim a economia de mercado capitalista.

Andy Warhol, artista ícone da Pop, investia na propagação de imagens popularmente conhecidas e na estética repetitiva, especialmente a serigrafia, técnica que tem como característica predominante sua facilidade de multiplicação. Seu ateliê, que possuía vários assistentes, chamado de ‘The Factory’, logo denuncia sua concepção de arte como uma mercadoria como outra qualquer.

Entretanto, da motivação de artistas que buscam a arte como atitude de transformação, política, ideológica, espiritual ou mística, em um movimento contracultura da arte não mercenária, nascem a performance e a videoarte. Nesta última, a câmera doméstica, já amplamente produzida, começa a ser utilizada capturando a ação do artista, documentando-a, ou fazendo-a intencionalmente na privacidade.

Transcendência como conceito - Contexto, público e sua interação se tornam cada vez mais importantes. Para o artista, performer, mesmo dedicado e entregue, nada poderá ser transformado sem o envolvimento do espectador tanto quanto. Assim como um ritual que leva a transcendência, a performance entende-se como “um modo estético de rezar”, como colocou Hermann Nitsch, artista austríaco referindo-se as suas “Aktions” – termo de língua alemã, e criador do Teatro OM – Teatro Orgia Mistério (destaque).

É como um teatro que dispensa atores, e como uma festa que convida para um acontecimento vivo, celebrando e fazendo brandir a potência de nossa existência e condição.

Em um campo expandido, com uma variedade de configurações, como a videoperformance, videoinstalação, videopoema (…) a videoarte dialoga com o cinema, através dos recursos do audiovisual. Mas é não linear, sem foco, e articula diferentes modalidades, como a música, o teatro, a literatura, outras obras ou expressões, o que provoca uma alteração temporal, alcançando uma percepção intermediária entre o cinema e a galeria.

A força catártica da experiência-limítrofe sinestésica, que torna indiscernível a arte e a vida é um dos pontos elementares em comum dessas expressões, tanto como na intenção, e na própria mistura das duas manifestações, que elevam o processo como essência da arte ao reconciliá-la com a vida, dirimindo o fazer artístico como passivo de uma realidade construída.

“[...] Livrem o mundo da doença burguesa, da cultura ‘intelectual’, profissional e comercializada. Livrem o mundo da arte morta, da imitação, da arte artificial, da arte abstrata… Promovam uma arte viva, uma antiarte, uma realidade não artística, para ser compreendida por todos [...]” Parte de um manifesto redigido em 1963, de George Maciunas, um dos fundadores do grupo Fluxus. (Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural).

* Camila Cardoso é museóloga e colaboradora do Supergiba.

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