Richard Sennett fala sobre Open City

Richard Sennett é professor de sociologia na New York University e na London School of Economics. Nas palestras sobre The Open City, seu mais novo livro, ele defende que ao projetar cidades deve-se levar em consideração as complexidades e conflitos entre os indivíduos que a compartilham, ao viverem em sociedade. Em suas palestras, costuma falar sobre condições limites inerentes às cidades, estabelecendo distinções entre fronteiras e limites, explorando o design de porosidade e a inerente mistura de indivíduos.

“As cidades em que todo mundo quer viver devem ser limpas e seguras, possuir serviços públicos eficientes, ser apoiadas por uma economia dinâmica, fornecer estimulação cultural, e também fazer o seu melhor para curar as divisões de raça, classe e etnia da sociedade. Estas não são as cidades em que vivemos. As cidades falham em todas estas contagens devido às políticas governamentais, os males sociais irreparáveis, e às forças econômicas fora do controle local”, Richard Sennett.

Ainda segundo ele, “A cidade não é o seu próprio mestre. Algo deu errado, radicalmente errado, na nossa concepção do que uma cidade em si deve ser. Talvez essas palavras – limpas, seguras, eficientes, dinâmicas – não sejam suficientes em si para confrontar criticamente nossos mestres”.

Sennett costuma provocar na audiência um olhar mais abrangente. “Atualmente, fazemos cidades em sistemas fechados. Para torná-los melhor, devemos transformá-los em sistemas abertos”, defende.

Para o sociólogo, é preciso aplicar ideias sobre sistemas abertos a fim de que estas arejem nossa compreensão acerca do que é uma cidade. E mais, em uma cidade aberta, qualquer que sejam as virtudes de eficiência, segurança, ou sociabilidade que as pessoas atinjam, estas serão alcançadas sempre em virtude da ação dos indivíduos.

Sennett argumenta: “Uma cidade reúne pessoas que diferem por classe, etnia, religião ou preferência sexual. Em um sistema aberto, a cidade é um grau incoerente. A dissonância marca o caminho aberto da vida, mais do que a coerência, e essa é uma dissonância da qual as pessoas se apossam”.

Leia mais no artigo publicado no site da LSECities.
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LSE Cities é um centro internacional na London School of Economics, que realiza trabalhos de investigação, educação e atividades de extensão em Londres e no exterior. Sua missão é estudar como as pessoas e as cidades interagem em um mundo em rápida urbanização, com foco em como o projeto de cidades impactam na sociedade, cultura e meio ambiente.
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Através de pesquisa, conferências, ensino e projetos, o centro visa moldar um novo pensamento e práticas sobre como tornar as cidades mais justas e sustentáveis para a próxima geração de moradores urbanos, que constituirão cerca de 70 por cento da população mundial até 2050.
 

Biografia – Levado à sociologia por Hannah Arendt, Sennett, também influenciado por Michel Foucault, dedicou-se ao estudo da vida dos trabalhadores em meio urbano, abordando questões ligadas à arquitetura.

Posteriormente, ampliou seu campo de estudos analisando a corrosão do caráter induzida pela instabilidade profissional sob o capitalismo flexível. Baseia-se em relatos de vida, notadamente de trabalhadores condenados à mobilidade, que não lhes possibilita o estabelecimento de vínculos duráveis.

Através do estudo da cidade moderna, interessa-se por questões ligadas à sociabilidade e ao trabalho, e particularmente, pela figura do exilado, cuja origem e formação não podem ser compreendidas pelos outros.

Seus principais interesses estão na área de desenvolvimento social e arquitetural de cidades, mudanças no mundo do trabalho e sociologia da cultura.

A partir de The Uses of Disorder (1970), e nos livros subsequentes The Fall of Public Man (1977) e Authority (1980), ele conjuga métodos de etnografia, história e teoria social para examinar a classe trabalhadora, o domínio público, e a formação da identidade em sociedade.

No que se refere ao desenho urbano e a experiência física, ele escreveu ainda livros como The Corrosion of Character (1998), The Culture of New Capitalism (2006), The Craftsman (2008), and Together: The Rituals, Pleasures, and Politics of Cooperation (2012).

Confira o discurso de Richard Sennett sobre a Cidade Aberta nos vídeos a seguir:

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