domingo 25 Jun 2017

Curadoria coletiva faz ‘140 caracteres’ no MAM SP

140 caracteres_Lenora de Barros

Um coletivo de pessoas tem sua autoria individual diluída em prol de ações conjuntas. Recentemente, a premissa ganhou força nas redes sociais, com grupos formados no ambiente da web compartilhando pensamentos e opiniões, e nas manifestações de rua, em que indivíduos perdem a identidade na multidão para fortalecer as causas reivindicadas. Alinhada com esta ideia, a exposição 140 caracteres, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, foi pensada por 20 curadores, que, em consenso, chegaram ao conceito do projeto e selecionaram 140 obras do acervo do museu para compor a mostra, que tem coordenação do curador do MAM Felipe Chaimovich

felipe chaimovich

“A exposição 140 caracteres é reflexo da mobilização por meio das mídias sociais, como aparato político e reflexão social sobre o que aconteceu em junho, em comparação com a ditadura”, define Felipe Chaimovich (à esquerda).

Com integrantes de idades e formações diferentes, esse grupo participou do primeiro Laboratório de Curadoria, realizado pelo MAM Educativo e ministrado por Chaimovich ao longo de 2013. Assim como acontecem com os outros cursos promovidos pelo Educativo, a proposta era que não houvesse uma pré-seleção para o ingresso dos alunos, podendo se inscrever interessados em geral, não necessariamente profissionais ligados à arte. “Essa diversidade funcionou bem”, aprova o curador do museu.

Os debates e os exercícios aplicados durante o laboratório, somados à onda de protestos pelo Brasil – e sua forte reverberação também na internet -, conduziram os alunos a um encadeamento de ideias: mobilizações populares-redes sociais-twitter-140 caracteres. “Isso revelou a chave para se selecionar as 140 obras”, diz Chaimovich. E também para definir os temas que dariam norte à mostra.

Em cartaz até dia 16 de março, a exposição ocupará a Grande Sala e a Sala Paulo Figueiredo, configurando, na prática, uma divisão histórica dos trabalhos escolhidos. Na Grande Sala, estarão compiladas, em núcleos, obras contemporâneas relacionadas a assuntos da atualidade, criando um espaço mais vinculado à antropologia urbana e à política do que à história da arte. No núcleo de máscaras, por exemplo, as peças escolhidas no acervo fazem alusão às máscaras usadas por diversos grupos durante as manifestações populares. Ainda no espaço, destacam-se outros trabalhos, como Máquina curatorial, de Nicolás Guagnini, Telhado, de Marepe, Uma vista, de Cássio Vasconcellos, e Ato único, de Iran do Espírito Santo.

ivi brasil e Pollyana Guimaraes

Ivi Brasil e Pollyana Guimarães: meme

Fazendo uma contraposição política, a Sala Paulo Figueiredo reunirá trabalhos do período da ditadura militar no Brasil – uma maneira também de lembrar os 50 anos do Golpe Militar de 1964. Nessa seção, uma parede inteira, do chão ao teto, será tomada por obras daquele momento histórico.

Diante dessa parede, dois trabalhos, mais contemporâneos, ocuparão a mesma sala. Um deles será Problemas Nacionales (2012), de Jonathas de Andrade, uma impressão sobre placa de acrílico, que ficará repousado sobre uma escrivaninha de escritório. Espera-se que os visitantes interajam com a obra, tirando fotos com ela e postando-as nas redes sociais, como Instagram, Facebook e Twitter.

O outro, Transestatal (abaixo), consiste em uma instalação de Marcelo Cidade, concebida originalmente em 2006, e composta por entulhos, plástico, madeira, tijolos, cimento, bebida alcóolica, mangueira e bomba d’água.

Transestatal

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