segunda 21 Ago 2017

Ivar Rocha ingressa na ArtMaZone

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Ivar Rocha é o mais novo artista a fazer parte da plataforma franco-brasileira ArtMaZone, lançada oficialmente em Paris, por Nina Sales, em 2012. A partir de agora, as gravuras do artista, criadas a partir da apropriação de objetos achados no ambiente urbano – ruas, canteiros de obras – passam a contar com mais uma janela para promoção de sua arte junto ao circuito internacional.

O universo do artista – que tem graduação em Artes Visuais (Desenho de Ilustração) nas Faculdades Pestalozzi (Niterói, RJ) e Licenciatura (Docência no Ensino Fundamental e Médio / AVM) pela Cândido Mendes (RJ) -, é ele mesmo quem apresenta, em vídeo, e nos textos a seguir:

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Racionalidade Instrumental

Por Ivar Rocha

A emancipação humana. A emancipação humana. Humana.

Humano, relativo ao homem, o corpo humano, a espécie humana. Sensível à piedade, compassivo, mostra-se humano com seus semelhantes. Gênero humano, o conjunto dos homens.

Hoje, a educação, que deveria ser uma alavanca essencial para a mudança, tornou-se instrumento. Fornece os conhecimentos e pessoal necessário para o avanço da máquina produtiva, mas também gera um quadro de valores que legitima os interesses dominantes produtores de suas mazelas.

Lendo “A produção de desigualdade nas práticas de orientação e intervenção” de Adriana Marcondes Machado, não consegui me afastar da estranha sensação de estar diante de uma confissão angustiada e autoderrotista, onde admito minha indisfarçável dificuldade de entender quem ou qual era o real problema, o aluno, o professor a escola. Marcondes faz uso excessivo de cenários desfavoráveis, pesados, tristes, termos pouco conclusivos, incertos.

Transitando entre sims e nãos, certos e certas, busquei me ancorar na educação não como um período estritamente limitado de nossas vidas, mas como desenvolvimento contínuo da consciência social como um todo. Quanto mais “avança” a sociedade capitalista, mais focada na produção de riqueza e na exploração das instituições educacionais ela se encontra, em todos os níveis, desde as escolas preparatórias até as universidades, para perpetuar a manutenção de uma sociedade de mercadorias, onde a “ordem natural” das coisas permanece inalterável, onde a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo.

Parece-me um problema de percepção, primeiro há de se enxergar o horizonte, os contornos para só depois chegar ao individuo.

deus sabe teu nome.

Na tentativa de revelar a inadequada prática do hábito anestesiante de cobrir as marcas diárias de nossa realidade, me deparei com um símbolo bastante potente em nosso contexto sócio-político. O cassetete, que combinado em par, insinua não só a cruz cristã como também a morte. Expõe a problemática da difusão da violência de forma banal, não somente a violência contida e explícita no uso desta ferramenta pelos mecanismos a que competem, mas também e principalmente a violência atribuída à formação do sujeito em nosso tempo, que viola a personalidade, parcelada ao melhor estilo loja de variedades popular, a violência da confissão não mais religiosa, mas voluntária, a partir do próprio individuo que é provocado a todo o momento a se exprimir.

Esta forma de violência que impede o desenvolvimento da personalidade, que dificulta o sujeito a dizer sim a si mesmo e de se considerar a tarefa mais importante, é provocado aqui pela forma menos óbvia a que foi concebido, espelhado em si mesmo, faz uso de uma fina ironia que é fruto de sua própria natureza semântica. Desafia a linguagem a escolher as palavras, provoca o silencia como forma de sociabilidade, coloca frente a frente realidade e imaginação.

Aposto no símbolo como um agente de transformação, a potência contida em um encontro, um olhar, uma dúvida. O significado não está na coisa em si, como propõe Humberto Eco, mas na imagem mental da coisa. A informação que se completa no outro, talvez seja onde mora a felicidade, a amizade como um exercício político, pode ser uma bela alternativa para novas épocas.

Se deus existe, talvez ele seja canhoto. (I.R.)

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Conheça o perfil de Ivar Rocha em ArtMaZone.

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