sábado 24 Jun 2017

Oi Futuro censura exposição de Nan Goldin

Nan Goldin autorretrato

Em carta aberta aos amigos, enviada por e-mail, e divulgada no Facebook no último domingo, a curadoria carioca Lígia Canongia lamentava terem sido” jogados fora” dois anos de trabalho para a montagem de uma exposição com obras da fotógrafa norte-americana Nan Goldin. O motivo alegado? Censura. A exposição de Nan Goldin, concebida para ser realizada no Oi Futuro Flamengo, foi suspensa pela instituição em virtude da presença de fotografias de crianças nuas e seminuas, o que, segundo alegações dos diretores da empresa, feria o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O Supergiba concedeu direito de resposta à instituição acusada de censura através de sua página no Facebook, do formulário de contato em seu site oficial, e por telefone, com a assessoria de imprensa. A única resposta foi evasiva: “Estamos buscando um posicionamento sobre isso. Quando tivermos algo definido, enviaremos um e-mail ou entraremos em contato”. 

Na tarde de hoje, segunda-feira, confirmamos a informação de que a mostra será acolhida pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que a abrirá ao público em 13 de fevereiro. O patrocínio da Oi Futuro foi mantido.

Desde a publicação da primeira versão deste post, às 17hs de ontem, cerca de 10 mil usuários do Facebook reproduziram a página em seus murais, reverberando ainda mais polêmica em torno do cancelamento da exposição.

A notícia foi publicada hoje na primeira página do Segundo Caderno de O Globo. Confira a versão online.

Confira a íntegra da carta:

“Em reunião ontem, no Oi Futuro, fui comunicada pelo curador e pela direção do instituto que a exposição de Nan Goldin estava suspensa.

Em ato arbitrário, prepotente e desrespeitoso com a artista, os curadores, e sobretudo, com a obra de arte, a mostra foi CENSURADA.

A artista chegaria ao Rio dentro de 20 dias, e a exposição se inauguraria em 09 de janeiro, ou seja, faltando praticamente 1 mês.

A direção e a curadoria dessa casa simplesmente não sabiam quem era Nan Goldin e o conteudo de suas imagens, tomando conhecimento delas apenas no final de outubro, embora tenham selecionado a exposição em edital de um ano atras.

Um trabalho de quase dois anos foi jogado fora, sumariamente.

Atos como este so se inscreveram na historia durante o nazismo, o fascismo e as ditaduras.

A instituição teve apenas o desplante de me pedir que levasse a exposição para outro lugar.

Se vocês puderem e quiserem se manifestar a esse respeito, eu agradeceria, pois vou reencaminhar ao Oi Futuro a ressonância dessa arbitrariedade no meio artistico.

Um grande abraço,
Ligia Canongia”

Nan Goldin realizou sua primeira individual em Boston em 1973, apresentando um conjunto de imagens das comunidades gays e transexuais da cidade, introduzida no meio pelo amigo David Armstrong. Goldin graduou-se na School of the Museum of Fine Arts, Boston/Tufts University em 1977/1978, onde trabalhou na maioria com impressões através do processo de Cibachrome. Goldin, residente em Nova York, realizada desde o final dos anos 70 um trabalho focado na documentação da subcultura gay nos Estados Unidos.

Leia mais sobre Nan Golding neste outro post do Supergiba.

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  2. Uma fotografia é uma opinião | supergiba
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